a xanela malva e a cerdeira

un hábitat condenado a morte polo ladrillo

vou espindo as paredes

Vou espindo as paredes. Deshabito os espácios coa dor do tempo nas maus. As cousas desgarran a miña pel. Fican as pegadas dos nosos bicos e das bágoas. Do amor e das soedades. Os teus pés no forno da cociña de ferro. O son do sacho na horta. As festas dos gatos coa lua chea no soto. As nosas tardes de auga na bañeira. As castañas asadas e o pan da casa. Derradeiras semanas coa casa e a árbore. Cómpre arrincar as raices sen esfolar a alma.

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As máquinas non pensan. Os paxaros vendiman na xanela da cociña. Os ácios fican baleiros. Aquel trono. Nas paredes durme o tempo. Coma nas liñas das maus. Mudan as horas. Outono respira húmido nos lábios da casa. Vivo nestes dias nas beiras da pel. Con toda esta luz.

Outubro 29, 2009 - Posted by | cerdeira

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